O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, criado pela International Association for Suicide Prevention (IASP), por isso o mês de setembro é reservado para uma reflexão a respeito desse tema bastante importante e triste. Tem se tornado cada vez mais frequente conversar com alguém que conheça um caso próximo de suicídio ou de tentativa.

O ministério da saúde faz o alerta sobre o aumento das tentativas realizadas por idosos (com mais de 70 anos) e jovens (15 a 29 anos). Entre os jovens do sexo masculino o índice é maior. Estes dados são fruto de estudos epidemiológicos realizados em nosso país. Tal diagnóstico serve para orientar famílias, profissionais e serviços de saúde a respeito da importância do assunto.

Viver em comunidade é algo que a humanidade já faz desde seu início, porém, qual é a qualidade dessa convivência? Como está o nosso olhar para o outro? Que atenção dedicamos aos colegas de trabalho, ao vizinho, ao porteiro ou a qualquer pessoa que nos presta um serviço? Temos tempo para falar e para ouvir? Os familiares, apesar de viverem em núcleos próximos, muitas vezes, são os mais distantes. A solidão tem se tornado um tema cada vez mais recorrente, mesmo quando estamos cercados de tecnologias que nos conectam instantaneamente aos outros.

Muito se critica as redes sociais. Sem dúvida elas trazem uma facilidade grande em esconder os reais sentimentos e feições, porém é possível perceber nelas claros pedidos de ajuda. Sinais importantes de que algo não está bem. As “diretas” e “indiretas” passadas por mensagens, fotos, criticas, textos e diversos outros modos, carregam mensagens e sentimentos que sinalizam mais do que a mera opinião, também revelam, dores, angústias e frustrações. Cabe a todos estarem atentos a essas falas. O isolamento social, os sofrimentos com perdas recentes ou crises, sejam elas familiares ou profissionais são facilitadores de comportamentos de risco e devem ser valorizados.

Exercitar a nossa escuta, oferecer o nosso tempo e se interessar pelos sentimentos de quem convivemos são pequenas atitudes que podem ajudar a prevenir situações em que uma pessoa próxima pensa em tirar a própria vida. A tolerância e o acolhimento do outro é um exercício fundamental para a convivência humana mais significativa.

Existem ainda diversas formas de ajudar e encontrar ajuda para aqueles que passam por momentos difíceis e passam a desacreditar na vida. O primeiro passo é se dispor a ouvir a pessoas a sua volta, estar mais próximo, compartilhar e dividir as preocupações e angústias, buscar sermos mais próximos uns dos outros, com menos julgamentos e mais compaixão.

Vale lembrar que as comunidades religiosas podem ser uma grande ferramenta de acolhida e escuta para as pessoas que sofrem. Estar atento às famílias e à comunidade. Em uma Igreja que visa em essência a vida, respeitar o próximo e dar atenção é de crucial importância. Uma pequena orientação ou apoio pode fazer muita diferença. Além de desejar “a paz de Cristo” pode-se buscar também ser ferramenta desta paz. Ser cristão é valorizar a vida e estar disponível para receber o outro, com uma escuta

Outra forma de ajudar é Centro de Valorização da Vida (CVV), que em parceria com o Ministério da Saúde tornou gratuita a ligação (188) onde voluntários oferecem apoio emocional de forma anônima e sigilosa. Também é possível entrar em contato pela internet na página http://www.cvv.org.br.

Ainda na rede pública (SUS) há as Unidades básicas de saúde (UBS) e os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS), que atendem e orientam de forma gratuita, além de psicólogos e psiquiatras que atendem em redes particulares.

Muitas são as formas de ajudar e buscar ajuda, mas a mais importante é a mais simples, escutar e acolher a pessoa mais próxima a você. Toda ajuda começa com um ouvido disponível e um olhar atento.


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