Nesta quarta-feira, 10 de outubro é Dia Mundial da Saúde Mental. Momento para separarmos um tempo para pensar na nossa saúde mental e entender melhor o que isso significa. Saúde mental contempla todas as nossas atividades, não somente transtornos da mente e de humor, como comumente se pensa. É importante pensarmos a respeito da Depressão, Esquizofrenia, Transtornos de Ansiedade, etc.; porém a Saúde mental vai muito além disso. É bastante recorrente ouvirmos “Depressão é o mal século” ou “Ansiedade é o mal do século” ou muitas outras “doenças da modernidade”, mas o que tem gerado esta moda?

Este é um momento para repensarmos nossas escolhas e ritmo de vida, estabelecer prioridades. Tanto em casa como no trabalho. Somos cobrados diariamente sobre nosso pleno funcionamento e nossa plena produção. Há um pensamento continuo de que “é preciso dar conta de tudo e mais um pouco”. Tanto para homens como para mulheres é comum ter uma atividade profissional, que muitas vezes passa das 8h diárias, e depois ter que encarar uma nova jornada pessoal, seja com família, amigos, faculdades, pós-graduação e, principalmente, consigo mesmo. Conviver com outros não é fácil, mas não se deve subestimar a convivência consigo mesmo. Por incrível que pareça, nos cobramos e somos mais severos consigo mesmos do que com outros e mais do que os outros são com a gente. Cada situação dessas é difícil, e quando a cobrança é em todos os setores (trabalho, família, amigos, etc.) ao mesmo tempo? Adoecimento.

Trabalhar é importante, mas eles existem em função de uma organização social. Educação, saúde, segurança, transporte, alimentação, etc.; trabalhamos em função de outras pessoas, que dependem de nossa boa condução para ter suas necessidades supridas. Trabalhamos para nossa família, para nós mesmos, para construir uma vida adequada e confortável, e isso tem um custo. Cuidar de uma família, de uma casa, mesmo que não seja um emprego formal, e muito menos remunerado, gera cobranças e exigências igualmente difíceis. As expectativas e os objetivos são altos (alimentação equilibrada, casa confortável e limpa, ausência de faltas – seja quanto presença ou coisas). E conviver consigo mesmo também é difícil. O que quero que meu corpo seja, como seja, quero o máximo funcionamento, beleza, saúde e pouca exigência, pouco sono, pouca comida, poucos cuidados, currículo perfeito, da rede amigos ativa, etc.

Não bastando as atribulações da vida diária, há a vida em comunidade, dentro da Igreja, é local para muitos pensamentos. O quanto vemos nossos lideres atribulados sejam padres, coordenadores de pastoral, e irmão nas diversas funções pastorais. A Igreja é palco para todas as demandas e vidas citadas. Vemos irmãos de fé passando por todo tipo de situação pessoal, e muitas vezes auxiliamos nessa sobrecarga com mais cobranças, com mais solicitações ou até mesmo com a nossa ausência.

Há muito que se discutir a respeito, mas resumindo, equilíbrio é a palavra. Não podemos escapar das nossas necessidades e dos nossos desejos. Mas podemos pôr ordem e luz em cada coisa. Respeitar os próprios limites acima de tudo. Lidar com a frustração pessoal e das demais pessoas acerca de nossas escolhas e dos limites que determinamos para nossas ações, em todos os âmbitos de vida, inclusive na Igreja. Nas cartas de Paulo “Tudo posso, mas nem tudo me convém” (I Coríntios 6, 12), exprime a experiência humana e cristã do discernimento de nossas prioridades e importância de nossas escolhas. Não é tarefa fácil e muito menos simples, para isso existe apoio profissional e espiritual para tal. Repensar a vida e dar espaço para isso é buscar de fato a saúde mental, pois perdê-la, em muitos casos pode ser um caminho triste e sem volta.

 


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