No processo formativo para os futuros padres da nossa Arquidiocese atualmente passam por um tempo de missão Ad Gentes. Os seminaristas que terminam a etapa da teologia são enviados para um período de missão e um dos primeiros lugares tem sido nossa igreja irmã, a Prelazia de São Félix do Araguaia, situada no Estado do Mato Grosso.

Fui encaminhado para a paróquia (ou regional como chamam aqui) São João Batista cujo pároco é o Pe. Tiago Polonha, padre da nossa arquidiocese. Paróquia formada por 18 comunidades, sendo três na cidade (matriz, capela São José e o Santuário dos Mártires) e as demais todas no sertão. Nossa equipe de pastoral é formada pelo Pe. Tiago, duas irmãs religiosas da congregação Escolares de Nossa Senhora, eu como seminarista e um jovem leigo que está em tempo de discernimento vocacional. Com esse povo e com essa paróquia é que tenho realizado minha missão.

Durante o processo formativo sempre valorizei a missão e, particularmente, tive a oportunidade de realizar duas missões, uma primeira em 2016 na cidade de Porto Velho – RO e a segunda em 2018 na cidade de Santarém – PA, ambas de um mês apenas. Já a missão deste ano é mais longa que até dezembro, completará nove meses. Aqui tenho aprendido a olhar a igreja de outro modo. Pude chegar e viver com eles a partir do modo deles, sem impor o que sei.

As celebrações no sertão (ou no nosso entendimento paranaense, as comunidades do interior) são compostas de encontros nas casas lembrando as primeiras comunidades, a fé simples e sincera das pessoas, com o povo sofrido que lutou pelo seu pedaço de terra e que luta constantemente pela vida e pela dignidade de sua família. A alegria sempre presente no modo de celebrar com cantos festivos, gestos, com panos em cores bem vivas. Encontros formativos sempre recordando da luta do povo, lembrando pessoas que se doaram e deixaram suas marcas na vida de tanta gente na dedicação pelo Reino, desta forma, há sempre a partilha e a escuta, pois se quer caminhar junto, de mãos dadas, com uma única intenção e direção.

Cheguei na paróquia no dia 16 de março de 2019 e a primeira comunidade que visitei é chamada Santa Lucia. A acolhida foi algo muito impactante e o sentimento é como se eu já participasse da comunidade com eles. A missa aconteceu na casa de uma família embaixo de um pé de manga, todos reunidos ao redor da mesa. A partilha da vida, dos dons, dos alimentos é algo que acontece naturalmente entre eles como modo deles de ser.

Na minha caminhada vocacional o que mais me marcou aqui foi a oportunidade de conduzir o tríduo pascal pela primeira vez e aconteceu em uma das comunidades chamada Senhor do Bonfim (Novo Paraíso), a presidir por várias vezes celebração da Palavra nas comunidades do sertão, a dar alguns encontros de catequese e a batizar 10 crianças. Claro, sem falar na presença na Pastoral da Juventude da paróquia ajudando-me a ser quem eu sou, jovem. Recentemente também iniciamos a Pastoral dos coroinhas dando espaço as crianças a ajudarem na liturgia e principalmente colaborando no discernimento vocacional.

Tempo importante para mim onde pude me distanciar das minhas seguranças e pude me confrontar sem medo e, na mesma proporção, me colocar a serviço da comunidade e das pessoas que, por vezes, uma escuta e um estar junto já é mais que suficiente para ajudar. Estar disponível para amar e ajudar alguém nem sempre é fácil e fazer isso com o diferente é mais complicado ainda, mas aquele que está aberto a ser discípulo de Jesus precisa aceitar, abraçar e seguir Àquele que nos ensina a sair de si e a servir aquele que precisa. Agradeço profundamente a Deus, ao Dom Peruzzo e a formação de Curitiba por ter me concedido essa graça de viver esse tempo de missão. Para mim está sendo de suma importância. Tenho aproveitado cada momento e aprendido muito com esse povo.

Esse ano a Prelazia de São Félix está celebrando seu Jubileu dos 50 anos de fundação. Acontecem vários momentos celebrativos de histórias, momentos e pessoas que marcaram a Prelazia e que, ao serem recordadas e lembradas, ajudam ao povo a continuar a caminhar, a não desistir nas suas dificuldades, a somarem forças e a olharem para Jesus, modelo de fidelidade a Deus e amor ao povo. Bem como na nossa Arquidiocese, aqui também têm suas dificuldades e problemas. Mas com esse ano jubilar, buscando com a história do povo e da Igreja do Araguaia, forças para continuar a lutar e a sonhar por uma igreja viva e simples que nos santifica aqui e agora.

Na Exortação Apostólica do Papa Francisco Gaudete et exsultate nos diz assim: A Igreja precisa de missionários apaixonados, devorados pelo entusiasmo de comunicar a verdadeira vida (n.138)”. Que nós, seguidores de Cristo, estejamos abertos ao chamado para sair em missão, a doar um pouco do que temos à tantos que não possuem nada. Há tantos povos que precisam do nosso sim e do pouco que temos para partilhar. Estejamos dispostos a aceitar esse chamado de Jesus, a nos encorajar a amar o diferente e a se lançar na alegria da missão, como missionários apaixonados por Cristo, pela Igreja e principalmente pelo irmão (ã), pelo outro (a).

Primeira comunidade que visitei Santa Lucia.

Encontro com todos os agentes de pastoral da Prelazia (Bolão).

 

Encontro formativo para catequistas.


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