Acampamento e Renovação

Publicado por João Marcos Christi em

Quando entrei na equipe do acampamento, já quase nas etapas finais da preparação, eu tinha certeza absoluta de que seria da equipe externa, por vários motivos.

Primeiro, eu entrei no meio do caminho e conhecia muita pouca gente, o que poderia atrapalhar o trabalho em outras equipes. Já trabalhei em outros acampamentos, e sei como é importante a sintonia da equipe. Acredito que uma equipe que consegue deixar que Deus os una em nome do acampamento contagia os campistas com essa união. Isso suplanta qualquer chuva, qualquer barraca molhada, qualquer banheiro sujo e entupido, qualquer conflito. Alguns até mesmo se dispõem a ser, digamos, membros ad-hoc da equipe nos momentos mais difíceis.

Segundo, meu momento de vida estava caótico: saindo de forma conflituosa de um casamento de 7 anos (há 4 meses!), sendo obrigado a jogar um xadrez mental e passar um trator sobre sentimentos para conseguir começar a colocar minha vida em ordem, e as experiências que eu contei na colocação de relação de ajuda (houve muito mais, é óbvio). Eu sei que transparecia tudo isso.

Terceiro, eu já havia trabalhado na Externa em outros acampamentos, e acho que fui bastante útil nessa função. Parecia-me o caminho mais lógico. Eu pensava “quem, em sã consciência, colocaria um cara na situação em que me encontro ser monitor?”.

Quando descobri que fui escolhido para ser monitor, quais foram meu sentimentos? Choque e medo. Choque porque eu realmente não me imaginava como monitor, não agora. Medo porque eu não queria decepcionar ou acabar sendo prejudicial ao acampamento. Eu não me sentia confortável para ser monitor e falar de Deus porque eu mesmo estava numa fase de reencontro e conflitos internos, e queria que os campistas sentissem o amor de Deus sem alguém lá meio perdido atrapalhando. Achava que talvez eu destoasse do restante da equipe.

Na Quarta-Feira, quando cheguei à chácara, ainda estava apreensivo. Porém, quando acordei na Quinta-Feira, eu me senti… pronto. Ainda não 100%, mas pronto. Parece que Deus me cochichou no ouvido “vai lá, cara, estou com você, vai dar tudo certo”. Tomei coragem e dei um, digamos, salto da fé. Do meu jeito, fui tentando ajudar no que eu podia, mostrar aos meus campistas que eu estava lá para eles e dar a eles minha visão (talvez nem sempre certa) do amor de Deus. Eu tentava falar sobre o que eu achava importante. E tentava ser não alguém especial, mas somente uma pessoa que estaria lá para ser útil e importante durante aqueles quatro dias, e fiz o que fosse preciso para que se sentissem confortáveis.

Fazer a colocação foi algo que mexeu demais comigo. Eu aceitei porque senti Deus me dizendo que eu deveria falar sobre relação de ajuda nesse acampamento, mas senti que eu não estava pronto: eu precisava me preparar espiritual e mentalmente. Eu passei semanas falando comigo mesmo na volta do trabalho (sozinho, coisa de gente esquisita). Nos primeiros dias, era extremamente desconfortável. Eu realmente não conseguia falar sem desabar. A coisa foi melhorando aos poucos, mas durante o acampamento ainda não me sentia pronto. Até mesmo durante as partilhas das tribos antes da colocação eu me continha, porque de repente me vinha um sentimento muito forte de tristeza e eu sabia que eu desabaria ali mesmo. Logo depois do almoço, fui à tenda da Intercessão. Senti uma paz tomando conta de mim, paz suficiente para eu conseguir falar. Veio-me também mais ou menos o que eu deveria falar. Decidi que não ia preparar mais nada, só falar o que me vinha no momento.

No final, fiquei muito, muito feliz de ter sido parte desse acampamento. Foi uma renovação para mim. Eu me senti parte genuína dos momentos. Senti-me próximo de pessoas que eu mal havia visto ou fiquei anos sem ver! Emi, Will, Diéverson, Helê, Marina, Filho, e tantos outros. Fiquei emocionado de perceber que o acampamento pode realmente ter feito diferença na vida daquela molecada que estava na minha tribo. Agradeço a Deus por ter encontrado o Leandro no aniversário de um amigo em comum da minha irmã em um bar (!!) e ter decidido começar essa jornada, mesmo com muitas incertezas. Senti que posso fazer ainda mais. Espero poder fazer mais.


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