O Ano da Fé e a Espiritualidade do Catequista

Publicado por Pe. Luciano Tokarski em

A carta apostólica do Papa Emérito Bento XVI, que proclamou o Ano da Fé, nos convida “a abandonarmo-nos gradualmente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem sua origem em Deus” (PF 7). Isso significa que professar, conhecer e transmitir a fé passa necessariamente por uma vida de oração. Neste Ano da Fé somos convidados a uma profunda reflexão sobre a dinâmica da nossa vida espiritual em nosso ministério catequético.

Vivemos hoje num mundo que passa por uma grande crise de espiritualidade e, ao mesmo tempo, que vive fortemente fechado em si mesmo. Nunca a busca da espiritualidade foi tão premente e o desejo de partilhá-la foi tão ardente entre os povos. A busca por uma vida espiritual profunda, centrada e coerente tornou-se uma meta e um desafio na sociedade atual.

A espiritualidade cristã é um dom de Deus. Não é uma técnica espiritual. Não é uma teoria que pode preencher o coração de uma pessoa. Não é uma espiritualização do que sinto, necessito e desejo. O Cardeal Henri de Lubac dizia que a vida espiritual consiste em deixar de falar tanto de si para falar mais do teu Senhor. Espiritualidade cristã é o relacionamento íntimo de fé com a pessoa de Jesus Cristo. É a resposta ao chamamento para seguir Jesus Cristo na vida cotidiana.

“A obra de Deus é que creiais” (Jo 6, 29). A fé é a resposta à obra de Deus, é a maior prova na vida cristã; portanto, não se limita à adesão a uma instituição.

O fundamento da espiritualidade do catequista encontra-se claramente em Jesus Cristo e sua mensagem. O catequista deve ser um especialista em Deus, um mistagogo. O catequista deve estar ciente de que a fonte de sua espiritualidade é a fé no Deus de amor. A pedra angular de sua vida espiritual é o Evangelho. Através da leitura orante o catequista saboreia a Palavra de Deus, ela torna-se alimento saboroso em vista da maturidade em Cristo. Neste ínterim, “precisamos, urgentemente, recuperar a espiritualidade da escuta em nossos ambientes eclesiais” (CNBB 97, nº 53). Escutar é uma atitude eminentemente espiritual. Escutar é deixar-se moldar pela voz e graça de Deus.

A vida espiritual do catequista é manifestada na fidelidade à vontade de Deus, na abertura ao próximo, no desejo de formar-se, no compromisso com o anúncio do Reino de Deus, no exercício da caridade, na superação das adversidades, nas aspirações e esperanças do cotidiano e no testemunho na comunidade de fé. Ser catequista é transbordar a bondosidade do Senhor.

O Ano da Fé é a oportunidade para que você, querido(a) catequista, revigore sua dimensão espiritual através de uma vida eucarística, de uma espiritualidade mariana, de um contato contínuo com o sacramento da Reconciliação, de uma eficaz direção espiritual e de um desejo incontrolável de santidade.

Que Maria, mulher de oração e fé, guie-nos no autêntico serviço à catequese em nossa arquidiocese e nos ajude a nos configurar plenamente a seu Filho.


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