DÍZIMO – Significado de Comunidade

Publicado por Paroquia do Divino Espírito Santo em

O dízimo é uma maneira de crescer em comunhão, comunhão entre as pessoas, comunhão com Deus e comunhão pessoal – cada um consigo mesmo. O dízimo desempenha um papel na formação dessas comunhões.

O dízimo não é só uma prática, um método eficiente, ele contém uma espiritualidade, se refere a uma teologia de comunhão: entre os seres humanos, entre a pessoa humana e Deus, e dentro da pessoa humana.

A comunidade, toda comunidade humana, é formada através de uma transcendência, isto é, passamos do proprium para o commune, do individual para o comunitário, do “meu” para o “nosso”. É assim que cada comunidade se forma, o próprio tem que se abrir para o comunitário, sem isto é temos uma coleção solta e fraca de indivíduos, mas quando o próprio de cada um se abre para o grupo, começa a brotar a comunidade.

Se alguém quer saber se realmente deseja uma vida cristã comunitária, veja se está disposto a partilhar um pouco os seus bens; se não, pode esquecer-se de qualquer coisa mais sublime. Se não há disposição ou não há capacidade de fazer aquilo que é elementar, como poderá progredir além do elementar? Comunidade começa com partilha dos bens.

O dízimo não significa compartilhar 100% dos bens, isto é mais próprio de uma comunidade religiosa, onde segunda as regras, tudo tem que estar no meio. Mas, o dízimo é uma maneira de compartilhar os bens que corresponde excelentemente ao seu estado de vida como membros de uma paróquia, onde a vida comunitária é real, mas é mais solta e flexível. E para constituir uma comunidade paroquial todos têm de assumir a responsabilidade de zelar pelo bem estar do próximo, inclusive com as necessidades físicas, financeiras e outras.

O problema com a rifa, o bingo e coisas semelhantes, é que estas coisas deixam de lado este aspecto primário de “formar o corpo de Cristo”. Nenhum bingo forma o corpo de Cristo, nenhuma rifa. Ao invés disto, estes esforços se limitam à solução de algum problema financeiro imediato. Mesmo se todos os problemas financeiros de uma paróquia pudessem ser resolvidos através de um imenso bingo, a perda seria maior que o ganho. Por quê? Porque tudo permaneceria no âmbito do econômico. O espiritual, o interpessoal, seriam engolidos pelo econômico.

O dízimo vai exatamente na direção contrária. O dízimo compreende que o econômico deve ser “espiritualizado”. Em que sentido? No sentido de que o assunto que interessa não é “só colocar um real na cestinha”, mas o assunto é a constante construção e manutenção das comunidades paroquiais. E um meio para realizar a construção da comunidade é esta responsabilidade mútua, financeira, econômica. Mas, ao invés do espiritual descer só para o nível financeiro, o nível econômico sobe para fazer parte do espiritual.

Nós vivemos o espiritual através do físico. Nós somos corpo e espírito, e nós manifestamos nosso amor uns pelos outros e a nossa pertença uns aos outros, através do nosso cuidado pelas necessidades uns dos outros, começando precisamente com as necessidades físicas e econômicas.

Se o dízimo nos capacita a crescer na consciência de ser uma comunidade e a construir uma comunidade, o dízimo também espontaneamente alarga as dimensões da comunidade. Com isto se quer dizer que, uma vez que uma pessoa, que uma paróquia, genuinamente aceita o fato de que seus membros pertencem uns aos outros e que são responsáveis uns pelos outros, isso cria uma abençoada avalanche que é difícil parar – graças a Deus. Assim como uma atitude fundamentalmente egoísta nos torna cada vez mais centrados em nós mesmos, uma atitude fundamente generosa faz nosso coração sair cada vez mais em direção a outras pessoas.

Assim como o dízimo insiste que a minha carteira não é somente para mim e para minha família, a unidade de coração insiste que o meu amor e cuidado não são de uso exclusivo meu e da minha família. Não basta só dar dinheiro! Tem que ser tempo também, afeto também, energia também. Isto é indispensável para uma comunidade paroquial.

Trabalhamos para a formação de uma assembleia viva, interpessoal de fiéis, esta assembleia que nós chamamos de “IGREJA”.
Venha você também.

Texto extraído do livro “Um Monge fala sobre o Dízimo” de Dom Bernardo Bonowitz, ocso. Ed.Subiaco, 2008.


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